- Histórico, Definições e Classificações diagnósticas, etiologia, epidemiologia, exame psiquiátrico, diferenças depressão unipolar x bipolar, diagnóstico diferencial, intervenção e tratamento.
Humor
- O humor é o estado emocional basal
- Tônus afetivo do indivíduo, o estado emocional basal que colore a percepção que a pessoa tem do mundo.
- Está intimamente ligado ao afeto e pode ser descrito de diversas maneiras: ansioso, deprimido, eufórico, entre outros.
- Afeto → qualidade emocional que acompanha uma ideia, a expressão externa do estado emocional, e pode ser congruente ou incongruente com o humor.
- A osilação do humor é normal, porém caso ocorra de forma exagerada, intensa e duradoura, causando algum tipo de prejuízo, é considerado uma alteração patologica.
- Sendo:
- Eutimia
- Estado de humor normal, sem alteração.
- Hipertimia
- Estado exagerado de humor, uma felicidade patológica.
- Hipotimia
- Rebaixamento exagerado de humor.
- Os transtornos do humor tem como seus principais representantes o transtorno afetivo bipolar e o transtorno depressivo maior
- Os transtornos do humor, antes denominados psicoses maníaco-depressivas, constituem um grupo de condições clínicas caracterizado pela perda do senso de controle das expressões afetivas e pela experiência subjetiva de grande sofrimento.
- A perturbação fundamental é uma alteração do humor, no sentido de uma depressão (com ou sem ansiedade associada) ou de uma exaltação.
- Esta alteração é geralmente acompanhada por uma modificação no nível global de atividade e a maioria dos outros sintomas é secundária ou facilmente compreendida no contexto de tais alterações
Epidemiologia
- O transtorno depressivo → transtorno de humor mais comum
- Prevalência durante a vida de cerca de 15% em mulheres.
- A prevalência de depressão nas mulheres é duas vezes maior do que nos homens, independente do país ou cultura.
- A incidência também é alta e situa-se em torno de 10% da população geral e 15% dos pacientes hospitalizados.
- O transtorno bipolar é menos comum, com uma prevalência no período de vida de cerca de 1%, similar à esquizofrenia.
- A idade média de início é 30 anos, enquanto a idade média de início do transtorno depressivo é 40 anos.
- Não há variação da prevalência dos transtornos do humor entre as raças ou situação socioeconômica.
- A depressão ocorre mais frequentemente em pessoas que não têm relações interpessoais íntimas ou são divorciadas.
- O transtorno bipolar pode ser mais comum em indivíduos divorciados e solteiros, mas esta diferença talvez reflita o aparecimento de discórdia conjugal precocemente nestes pacientes.
Etiologias
- Fatores genéticos
- Dados genéticos indicam fortemente que um fator significativo no desenvolvimento do transtorno é a genética, sendo esta mais forte para a transmissão do transtorno bipolar do que para a do transtorno depressivo.
- Foi demonstrado que a incidência nas famílias é maior do que na população geral, e a concordância entre gêmeos monozigóticos é maior do que nos dizigóticos.
- Filhos adotivos permanecem com risco aumentado de desenvolver transtorno de humor, mesmo que afastados dos pais biológicos acometidos por este tipo de transtorno.
- Fatores biológicos
- A noradrenalina e a serotonina são os dois neurotransmissores mais envolvidos na fisiopatologia dos transtornos de humor.
- Com o amplo efeito que os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) — por exemplo, a fluoxetina — tiveram sobre o tratamento da depressão, a serotonina tornou-se o neurotransmissor mais associado à depressão.
- Embora a noradrenalina e a serotonina sejam as aminas biogênicas mais frequentemente associadas com a fisiopatologia da depressão, a dopamina, o sistema GABA e os peptídeos neuroativos (particularmente vasopressina e opioides endógenos) também parecem estar implicados.
- Fatores neuroendócrinos podem estar relacionados ao surgimento de sintomas depressivos. Alterações dos hormônios tireoidianos podem causar tanto depressão quanto mania.
- Por este motivo, preconiza-se a investigação da função tireoidiana em todos os pacientes com transtorno do humor, mesmo que não apresentem queixas típicas de acometimento da glândula. Também foram descritas alterações no GH e alterações adrenais, principalmente relacionadas ao cortisol, podendo afetar o estado imunológico destes pacientes.
- Estudos com neuroimagem, eletrofisiologia e neuropatologia vêm sendo feitos, ainda sem resultados consistentes o suficiente para serem utilizados na prática clínica. Parece haver envolvimento do sistema límbico, gânglios basais e hipocampo.
- Fatores psicossociais
- Os acontecimentos vitais estressantes precedem mais frequentemente os primeiros episódios de humor, tanto depressivos quanto maníacos, do que subsequentes. A presença de agentes estressores permanentes precipita e influencia o curso dos transtornos de humor, interfere na sintomatologia e na recuperação, independente das estratégias terapêuticas adotadas.
- O acontecimento vital mais associado com o desenvolvimento de depressão é a perda de um dos pais antes dos 11 anos de idade. As síndromes e reações depressivas surgem com muita frequência após perdas significativas: de uma pessoa querida, de um emprego, de um local de moradia, de uma situação socioeconômica ou de algo puramente simbólico. Não há nenhum traço ou tipo de personalidade estabelecido como predisponente à depressão ou ao transtorno bipolar.
Manifestações clínicas