Compartimentos de Líquido Corporal
- Intravascular (plasma): 5% do peso corporal.
- Intersticial: 15% do peso corporal.
- Intracelular: 40% do peso corporal.
As 4 Fases da Fluidoterapia: R.O.S.E
- Ressuscitação
- Fase inicial do choque, onde há hipoperfusão e hipovolemia severa.
- Objetivo: Restaurar a perfusão tecidual em choque hipovolêmico/distributivo.
- Utiliza-se bolus de cristaloides isotônicos (SF 0,9%, Ringer Lactato ou Plasmalyte) na proporção de 30 mL/kg em 3 horas (guideline de sepse).
- Avaliação da resposta: Pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg, diurese ≥ 0,5 mL/kg/h, lactato em queda.
- Otimização:
- Pouca horas, refere-se a isquemia e reperfusão
- Nessa fase, o acúmulo de flúidos reflete a gravidade da doença considerada “biomarcador” (maior necessidade de flúidos = mais grave/chance de falência orgânica)
- Estratégia: Uso de parâmetros dinâmicos (delta VCI, resposta ao volume com elevação passiva das pernas) para guiar fluidoterapia e evitar hiper-hidratação.
- “Quando parar?” → → Monitorizar sinais de sobrecarga hídrica:
- Aumento do peso corporal (> 10% em 72h).
- Balanço hídrico cumulativo positivo ≥ 5L nas primeiras 48h → pior prognóstico.
- PVC > 12 mmHg, POAP elevada.
- eStabilização
- Fase de manutenção → paciente está hemodinamicamente estável.
- Evitar novas infusões excessivas de fluidos.
- Considerar nutrição enteral e controle de eletrólitos.
- Controle da pressão oncótica (albumina pode ser útil em casos de hipoalbuminemia grave).
- Evacuação (Desressuscitação)
- Objetivo: Remover excesso de fluidos acumulados durante a ressuscitação.
- Global Increased Permeability Syndrome (GIPS): aumento generalizado da permeabilidade vascular pós-sepse/choque, levando a retenção persistente de fluidos.
- Pode durar dias a semanas e é fundamental para reduzir edema pulmonar, abdominal e periférico.
- Estratégias:
- Diuréticos de alça (furosemida IV 20-40 mg/dia)
- Ultrafiltração venovenosa (se paciente crítico com insuficiência renal aguda e sobrecarga hídrica refratária)
Parâmetros Clínicos para Guias Ressuscitação
- Clínica: Peso, Balanço hídrico, Edema com cacifo, ortopneia (líq. em terceiro espaço), turgência jugular patológica, refluxo hepatojugular
- Laboratorial: IRA (oligúria < 0,5; sódio urinário elevado (> 40 mEq/L), urianálise, RAC, anemia dilucional, baixa Albumina, baixa osmolaridade
- Imagem: Cardiomegalia, hilo congesto, linhas B de kerley, veia cava aumentada, edema pulmonar
- Hemodinâmica: PVC (> 12 mmHg), Pressão arterial média (PAM) < 65 mmHg, Variação da VCI (> 15%)
Finalidade da Hidratação
-
Manutenção
- Reposição basal de água e eletrólitos para compensar perdas insensíveis e excreção renal mínima
- Indicação: pacientes impossibilitados de ingerir líquidos por via oral.
- Composição: SG 5% + NaCl 0,45% + KCl 20 mEq/L.
- Fórmula de Holliday-Segar
<aside>
- Primeiros 10 kg → 100 mL/kg/dia.
- 11-20 kg → +50 mL/kg/dia.
- >20 kg → +20 mL/kg/dia.
</aside>
-
Reposição volêmica:
- Correção de déficits líquidos devido a desidratação, hipovolemia ou choque
- Indicação: hipovolemia leve a moderada (desidratação, diarreia, vômitos)
- Fórmula para Estimativa do Déficit Hídrico:
<aside>
- Déficit (L) = Peso (kg) × % Desidratação × 10
- 50% nas primeiras 6-8h.
- 50% restantes nas próximas 16h.
</aside>