Histórico
- Na Alemanha, Wilhelm Griesinger (1817-1868) formulou uma integração de doença psiquiátrica com outras patologias médicas e propôs de forma explícita que esses eram transtornos do cérebro, sugerindo que uma doença cerebral difusa pode formar uma base unitária para várias transtornos psicóticos.
- Karl Ludwig Kahlbaum (1828-1899),pai da psicopatologia descritiva”, analisou o curso da doença nesses pacientes, apropriando-se dos métodos usados para estudar condições médicas.
- Ele também classificou os sintomas e descreveu dois subtipos de esquizofrenia, catatonia e paraferenia hebética, esta mais tarde denominada hebefrenia por seu colega Ewald Hecker (1843-1909).
- Emil Kraepelin (1856-1926), sem duvidas inspirou de forma mais intensa, em parte pela orientação “neokraepeliana”, os critérios diagnósticos para esquizofrenia encontrados em edições recentes do DSM
- Seu objetivo era classificar esse transtorno com base na etiologia física e, em geral, estabelecer o fundamento para doença mental nas ciências naturais.
- Kraepelin também salientou os aspectos hereditários, as complicações obstétricas e as anormalidades físicas, as quais continuam sendo consideradas indícios de fatores genéticos e neuronais na esquizofrenia.
- Ele observou que os aspectos clínicos de demência precoce encontrados em diversos grupos étnicos asiáticos eram semelhantes àqueles detectados em europeus, sugerindo uma causa para a doença que transcendia as condições ambientais locais.
- Em relação à sintomatologia, ele determinou o grupo agora considerado sintomas negativos como a perturbação-chave na esquizofrenia (Andreasen, 1997), pressagiando a renovada atenção aos sintomas negativos e alteração cognitiva como os determinantes mais consistentes de prejuízo funcional, resistência a tratamento e prognóstico
- Eugen Bleuler (1857-1939), um psiquiatra suíço, também exerceu grande influência sobre as noções modernas de esquizofrenia.
- Ele introduziu o termo esquizofrenia, pois criticava a noção de demência precoce, mencionando o início tardio e o curso estável da doença observados em alguns pacientes.
- Contudo, ele concordava com Kraepelin em relação à base cerebral desse transtorno.
- Bleuler foi influenciado não apenas por Wundt, mas também pelas teorias emergentes de Sigmund Freud (1856-1939) e Carl Jung (1875-1961), enfatizando os aspectos psicológicos da esquizofrenia. Ele considerava a esquizofrenia um grupo heterogêneo de transtornos e observou a “fraqueza dos atos psíquicos associativos” dos portadores, definindo os aspectos primários da esquizofrenia como os “quatro As”:
- 1) afrouxamento de associações
- 2) embotamento afetivo
- 3) autismo
- 4) ambivalência.
- entendia manifestações como alucinações, delírios e catatonia como sintomas “acessórios” ou reações psicológicas à existência dos sintomas primários.
- O esquema de diagnóstico de esquizofrenia de Bleuler era mais amplo do que o de Kraepelin, incluindo os tipos de esquizofrenia “latente” e “pseudoneurótica”, bem como a psicose esquizofreniforme breve. Essa rede diagnóstica mais extensa foi endossada em edições anteriores do DSM, todavia as recentes retomaram a noção mais restrita de esquizofrenia de Kraepelin como uma doença com início precoce e curso deteriorante.
- O outro pesquisador europeu cujo trabalho ajudou a moldar as noções modernas de esquizofrenia foi Kurt Schneider (1887-1967 ).
- Ele é mais conhecido por esboçar um conjunto de sintomas “de primeira linha” que incluem os que rompem com a realidade, como inserção e retração de pensamento, irradiação de pensamento, alucinações auditivas discutindo entre si e outras experiências delirantes e de passividade mais graves relatadas por esquizofrênicos.
- Isso representou uma das tentativas iniciais de estabelecer um conjunto distinto de critérios para o diagnóstico.
Esquizofrenia
- Transtorno grave, heterogêneo, de causa desconhecida, com sintomas psicóticos que prejudicam significativamente o funcionamento social.
- Tem evolução crônica e, na maioria das vezes, apresenta prognóstico sombrio.
- Os transtornos esquizofrênicos são descritos, em geral, por distúrbios característicos do pensamento, da percepção e do afeto.
- A consciência clara e a capacidade intelectual estão normalmente mantidas, embora possa ocorrer deficit cognitivo com a evolução do quadro.
- Acomete igualmente os 2 sexos
- Mulheres com inicio mais tarde do que os homens
Transtornos do Espectro da Esquizofrenia
- Paranóide:
- Forma mais comum e geralmente de início mais tardio
- Presença de ideias delirantes, de conteúdo principalmente persecutório, de grandeza ou místico, acompanhadas de alucinações auditivas e perturbações da sensopercepção.
- As vozes alucinatórias costumam ter caráter ameaçador ou de comando e vivências de influência são comuns.
- Alterações do afeto, vontade e psicomotricidade não são proeminentes;
- Pacientes são tensos, desconfiados, cautelosos e reservados, com episódios de hostilidade e agressividade.
- 1º episódio em idade avançada → menos regressão de faculdades mentais e ↑ suporte
- Desorganizado ou Hebefrênica:
- Caracteriza-se pela inadequação e incongruência do afeto, com risos imotivados e maneirismos.
- O delírio é fragmentado e há grave desorganização do pensamento. O discurso costuma ser incoerente e podem existir alucinações auditivas.
- O comportamento pode ser pueril e inapropriado.
- Há uma tendência ao isolamento social e geralmente o prognóstico é desfavorável, devido à intensa desestruturação psíquica e à presença de sintomas negativos, particularmente, embotamento afetivo e perda da volição;
- Pacientes são ativos, porém não produtivos (sem objetivo), com transtornos de pensamento, baixo contato com a realidade, aparência desleixada e respostas emocionais inadequadas (explodem de risada em funeral).
- 1º episódio antes dos 25 anos.
- Catatônico:
- Apresenta distúrbio da função motora, com presença de estupor, negativismo, rigidez, excitação ou posturas bizarras.
- Pacientes alternam rapidamente entre excitação e estupor.
- Podem haver estereotipias, maneirismos e flexibilidade cérea e mutismo.
- Pacientes podem apresentar desnutrição, exaustão, hiperpirexia e autolesões e, durante excitações, deve ser supervisionado.
- Episódios de agitação violenta e impulsividade podem ser observados.
- Indiferenciado:
- Pacientes que possuem esquizofrenia, mas não conseguem ser encaixados em um subtipo específico
- Podem haver alucinações cenestésicas
- Residual
- Apresentam evidências contínuas de esquizofrenia mas não satisfazem completamente os sintomas-critérios.
- Pacientes são embotados emocionalmente, retraídos, excêntricos, ilógicos e com frouxidão leve de pensamentos e associações.
- Presença persistente de sintomas negativos, tais como retardo psicomotor, hipoatividade, embotamento afetivo, falta de iniciativa, descuido pessoal, isolamento social e pobreza do discurso;